Oráculo
Neste especial fizemos perguntas estranhas, muito estranhas. Mas nada pode vencer a curiosidade dos nossos leitores
1. Por que quando olhamos para o céu vemos umas paradas bizarras, que parecem vermes transparentes, voando em todas as direções?
Willian Morais, Belo Horizonte, MG
Esses vermes existem e estão realmente boiando dentro do seu olho. Mas pode ficar tranquilo. Eles não são vermes e, sim, corpos fibrosos presentes na substância gelatinosa entre a retina e o cristalino. Conforme a mudança da pressão dentro do olho, os corpos se aglutinam e ficam mais evidentes. Transformam-se então em "moscas volantes", fiozinhos que flutuam e lançam sombras na retina. Tem gente que vê bolinhas, teias de aranha, pelos - ou vermes psicodélicos. Você tenta focar em um deles, mas saem correndo antes que você consiga identificá-los. Dá para vê-los melhor quando olhamos para superfícies planas, iluminadas e de uma única cor.
As moscas volantes são mais comuns em pessoas míopes, diabéticas e que já fizeram cirurgias oculares e não representam perigo para a saúde. A não ser que aumentem de uma hora para outra ou venham com flashes de luz e de perda da visão periférica - sinais do descolamento de retina, que pode levar à cegueira. Em casos extremos, você pode se submeter a uma vitrectomia, cirurgia em que o gel vítreo é substituído por uma substância líquida e salina.
Willian Morais, Belo Horizonte, MG
Esses vermes existem e estão realmente boiando dentro do seu olho. Mas pode ficar tranquilo. Eles não são vermes e, sim, corpos fibrosos presentes na substância gelatinosa entre a retina e o cristalino. Conforme a mudança da pressão dentro do olho, os corpos se aglutinam e ficam mais evidentes. Transformam-se então em "moscas volantes", fiozinhos que flutuam e lançam sombras na retina. Tem gente que vê bolinhas, teias de aranha, pelos - ou vermes psicodélicos. Você tenta focar em um deles, mas saem correndo antes que você consiga identificá-los. Dá para vê-los melhor quando olhamos para superfícies planas, iluminadas e de uma única cor.
As moscas volantes são mais comuns em pessoas míopes, diabéticas e que já fizeram cirurgias oculares e não representam perigo para a saúde. A não ser que aumentem de uma hora para outra ou venham com flashes de luz e de perda da visão periférica - sinais do descolamento de retina, que pode levar à cegueira. Em casos extremos, você pode se submeter a uma vitrectomia, cirurgia em que o gel vítreo é substituído por uma substância líquida e salina.
2. Como e por que nós temos déjà vu?
Bruno Abatti, Florianópolis, SC
Isso permanece um mistério. Pesquisadores sabem que 60% das pessoas tiveram pelo menos uma vez um déjà vu - a sensação de reviver uma situação em que nunca esteve. Sabem também que isso ocorre mais entre pessoas jovens, viajadas e estressadas. Mas, além disso, apenas começaram a identificar áreas relacionadas ao fenômeno.
Pesquisadores da Universidade de Leeds, na Inglaterra, realizaram tomografias em dois pacientes que sofriam de déjà vu crônico e descobriram que havia um problema em seu lobo temporal, uma das partes responsáveis pela memória. Isso fazia com que seu cérebro trabalhasse constante e espontaneamente desencadeando a noção de familiaridade (te conheço de algum lugar?), mas sem conseguir associar essa noção a algum evento do seu baú de recordações pessoal.
O curioso é que isso não está somente ligado ao sentido da visão - o tilt também acomete cegos. Isso derruba a antiga teoria de que o déjà vu era um problema no processamento das imagens captadas pelos olhos. Os estímulos de uma retina chegariam microssegundos antes ao cérebro do que os estímulos da outra, e, por isso, teríamos a sensação de ver a mesma imagem duas vezes.
Bruno Abatti, Florianópolis, SC
Isso permanece um mistério. Pesquisadores sabem que 60% das pessoas tiveram pelo menos uma vez um déjà vu - a sensação de reviver uma situação em que nunca esteve. Sabem também que isso ocorre mais entre pessoas jovens, viajadas e estressadas. Mas, além disso, apenas começaram a identificar áreas relacionadas ao fenômeno.
Pesquisadores da Universidade de Leeds, na Inglaterra, realizaram tomografias em dois pacientes que sofriam de déjà vu crônico e descobriram que havia um problema em seu lobo temporal, uma das partes responsáveis pela memória. Isso fazia com que seu cérebro trabalhasse constante e espontaneamente desencadeando a noção de familiaridade (te conheço de algum lugar?), mas sem conseguir associar essa noção a algum evento do seu baú de recordações pessoal.
O curioso é que isso não está somente ligado ao sentido da visão - o tilt também acomete cegos. Isso derruba a antiga teoria de que o déjà vu era um problema no processamento das imagens captadas pelos olhos. Os estímulos de uma retina chegariam microssegundos antes ao cérebro do que os estímulos da outra, e, por isso, teríamos a sensação de ver a mesma imagem duas vezes.
3. Por que bocejamos? E por que bocejo é contagioso?
Robson Albuquerque, São Caetano do Sul, SP
Ok, Robson, sua pergunta original era apenas "por que bocejamos". Para isso temos uma resposta fácil - é uma forma de respirar fundo e injetar oxigênio no sangue, algo muito útil quando estamos com sono e a atividade cerebral diminui. Não funciona só para humanos: a maioria dos mamíferos boceja. Mas a pergunta realmente intrigante, e que ninguém ainda conseguiu explicar, é: por que ver alguém bocejando, ou simplesmente ler sobre bocejo, é tão contagioso. Tente não bocejar agora. Não pense em bocejo! Nada de abrir a boca! Pronto, você já está bocejando...
Os especialistas se dividem em duas linhas. Para uma delas, defendida por biólogos que estudam o fenômeno em outros animais, o bocejo é um tipo de comunicação muito antiga, importante para situações de caçada, e que hoje perdeu utilidade - bocejar de volta seria uma forma silenciosa de avisar que entendeu o recado.
Outro grupo, este de neurocientistas, credita o contágio da boca aberta à empatia - a capacidade de nos colocar no lugar de outras pessoas. Não fosse o córtex cerebral, que barra algumas das nossas reações instintivas, andaríamos nas ruas imitando gestos dos outros.
O fato é que, mesmo sem sabermos por quê, um estudo da Universidade Estadual de Nova York descobriu que 60% das pessoas são contagiadas pelo bocejo alheio.
Robson Albuquerque, São Caetano do Sul, SP
Ok, Robson, sua pergunta original era apenas "por que bocejamos". Para isso temos uma resposta fácil - é uma forma de respirar fundo e injetar oxigênio no sangue, algo muito útil quando estamos com sono e a atividade cerebral diminui. Não funciona só para humanos: a maioria dos mamíferos boceja. Mas a pergunta realmente intrigante, e que ninguém ainda conseguiu explicar, é: por que ver alguém bocejando, ou simplesmente ler sobre bocejo, é tão contagioso. Tente não bocejar agora. Não pense em bocejo! Nada de abrir a boca! Pronto, você já está bocejando...
Os especialistas se dividem em duas linhas. Para uma delas, defendida por biólogos que estudam o fenômeno em outros animais, o bocejo é um tipo de comunicação muito antiga, importante para situações de caçada, e que hoje perdeu utilidade - bocejar de volta seria uma forma silenciosa de avisar que entendeu o recado.
Outro grupo, este de neurocientistas, credita o contágio da boca aberta à empatia - a capacidade de nos colocar no lugar de outras pessoas. Não fosse o córtex cerebral, que barra algumas das nossas reações instintivas, andaríamos nas ruas imitando gestos dos outros.
O fato é que, mesmo sem sabermos por quê, um estudo da Universidade Estadual de Nova York descobriu que 60% das pessoas são contagiadas pelo bocejo alheio.
4. Por que algumas pessoas nascem com 3 mamilos?
Andressa Andrieli do Carmo, Maringá, PR
Fique tranquila - se você, sua mãe ou seu namorado tiver um mamilo extra, saiba que 1 a cada 18 pessoas estão na mesma situação. Isso é resultado de uma malformação durante a fase embrionária do desenvolvimento. Em geral, eles aparecem em dois eixos desde as axilas até as coxas - ou seja, na linha em que mamíferos têm mamas, a exemplo de cadelas.Podem ser de vários tipos, desde os completos, com auréola e tecido glandular mamário, potenciais produtores de leite, até aqueles que parecem uma verruga. Não há comprovação científica de que estejam associados a doenças, e não precisam ser removidos, a não ser por questão estética. Só precisa tomar cuidado quem tiver câncer de mama, pois o tumor pode aparecer também nos mamilos extras.
FONTES: Normal patterns of deja experience in a healthy, blind male: Challenging optical pathway delay theory, Akira R. O¿Connor; Facts About Floaters, National Eye Institute (EUA); Escute seu corpo!, Jacqueline Egan e Joanne Liebmann-Smith; Supernumerary nipples, U.S. National Library of Medicine; Catriona Morrison, da Universidade de Leeds.
Andressa Andrieli do Carmo, Maringá, PR
Fique tranquila - se você, sua mãe ou seu namorado tiver um mamilo extra, saiba que 1 a cada 18 pessoas estão na mesma situação. Isso é resultado de uma malformação durante a fase embrionária do desenvolvimento. Em geral, eles aparecem em dois eixos desde as axilas até as coxas - ou seja, na linha em que mamíferos têm mamas, a exemplo de cadelas.Podem ser de vários tipos, desde os completos, com auréola e tecido glandular mamário, potenciais produtores de leite, até aqueles que parecem uma verruga. Não há comprovação científica de que estejam associados a doenças, e não precisam ser removidos, a não ser por questão estética. Só precisa tomar cuidado quem tiver câncer de mama, pois o tumor pode aparecer também nos mamilos extras.
FONTES: Normal patterns of deja experience in a healthy, blind male: Challenging optical pathway delay theory, Akira R. O¿Connor; Facts About Floaters, National Eye Institute (EUA); Escute seu corpo!, Jacqueline Egan e Joanne Liebmann-Smith; Supernumerary nipples, U.S. National Library of Medicine; Catriona Morrison, da Universidade de Leeds.